Atualizado em setembro de 2026 · 6 min de leitura
Como dividir contas proporcional à renda
Meio a meio parece justo até um dos dois ganhar o dobro do outro. Aí quem ganha menos fica sem sobra nenhuma e quem ganha mais nem sente. A divisão proporcional resolve isso com uma conta de padaria. Aqui vai a fórmula, um exemplo com números redondos, o que entra na divisão e como fazer sem ninguém precisar mostrar o holerite.
Por que meio a meio não é justo quando as rendas são diferentes?
Imagina que as contas da casa (aluguel, luz, água, internet, mercado) somam R$ 4.000 por mês. Uma pessoa ganha R$ 6.000, a outra R$ 3.000. Meio a meio, cada um paga R$ 2.000:
- Quem ganha R$ 6.000 compromete 33 % da renda e sobra R$ 4.000.
- Quem ganha R$ 3.000 compromete 67 % da renda e sobra R$ 1.000.
Os dois pagaram "igual" e vivem em situações completamente diferentes. É daí que vem a sensação de "eu pago tudo" de um lado e "eu nunca consigo guardar nada" do outro. A divisão proporcional faz os dois comprometerem a mesma porcentagem da renda.
A fórmula da divisão proporcional
1. Some as duas rendas líquidas: renda total.
2. A parte de cada um = sua renda ÷ renda total. Isso dá uma porcentagem.
3. Cada um paga sua porcentagem × total das contas compartilhadas.
Com o exemplo de cima: renda total R$ 9.000. Quem ganha R$ 6.000 fica com 6.000 ÷ 9.000 = 66,7 %. Quem ganha R$ 3.000 fica com 33,3 %. Das contas de R$ 4.000, o primeiro paga R$ 2.667 e o segundo R$ 1.333. Agora os dois comprometem 44 % da renda e sobram, respectivamente, R$ 3.333 e R$ 1.667. Continua desigual em reais, mas igual em esforço.
Exemplo completo: o mês de um casal
| Conta | Valor | Quem pagou | Parte da Ana (66,7 %) | Parte do Bruno (33,3 %) |
|---|---|---|---|---|
| Aluguel | R$ 2.200 | Ana | R$ 1.467 | R$ 733 |
| Mercado | R$ 1.100 | Bruno | R$ 733 | R$ 367 |
| Luz + água + internet | R$ 450 | Bruno | R$ 300 | R$ 150 |
| Delivery de sexta | R$ 250 | Ana | R$ 167 | R$ 83 |
| Total | R$ 4.000 | Ana R$ 2.450 · Bruno R$ 1.550 | R$ 2.667 | R$ 1.333 |
A Ana devia pagar R$ 2.667 e pagou R$ 2.450. O Bruno devia pagar R$ 1.333 e pagou R$ 1.550. Acerto do mês: a Ana faz um Pix de R$ 217 pro Bruno. Só isso. Não importa quem passou o cartão em cada compra; importa a diferença no fim.
O que entra na divisão e o que não entra?
A conta só é justa se vocês concordarem antes sobre o que é "nosso". A regra que funciona pra maioria dos casais:
- Entra: aluguel ou parcela, condomínio, contas da casa, mercado, farmácia da casa, streaming que os dois usam, restaurante e delivery juntos, viagem juntos, pet.
- Não entra: parcela do carro de um só, academia, roupa, presente pro outro (por motivos óbvios), dívida que veio de antes, almoço do trabalho, hobby.
- Zona cinzenta, combinem: plano de saúde, faculdade, ajuda pra família de um dos dois. Não existe resposta certa; existe combinado.
O erro mais comum é jogar tudo no bolo. Aí quem gasta mais com o próprio hobby está sendo subsidiado pelo outro, e a divisão proporcional vira fonte de briga em vez de solução.
Dá pra dividir proporcional sem mostrar o salário?
Dá, e esse é o ponto que quase nenhum app trata. Muita gente não quer abrir a renda exata: recebe comissão que varia, tem renda extra, ou simplesmente acha que é assunto seu. A divisão proporcional não precisa dos valores; precisa só da porcentagem.
Na planilha, isso é impossível: pra calcular a proporção, alguém vê os dois números. Em app manual como o Duofi, o slider de proporção é ajustado à vista dos dois. No Ficamos Quites, cada um informa a própria renda no próprio celular; o app calcula a porcentagem e é só ela que aparece pro casal. O outro sabe que a divisão é 66/34, não sabe se é R$ 6.000 contra R$ 3.000 ou R$ 12.000 contra R$ 6.000.
Como fazer isso todo mês sem planilha?
A conta é fácil; o difícil é ter os gastos. Na planilha, os dois têm que lembrar de anotar cada compra, e a experiência de quase todo casal é a mesma: dura duas semanas. Nos apps manuais (Duofi, Balance, Splitwise), mesma coisa: cada gasto é digitado por quem pagou.
O jeito que não depende de memória: pegar o extrato. Todo banco exporta OFX ou CSV, sem senha, sem conectar nada. O extrato tem 100 % dos gastos. No Ficamos Quites o fluxo é:
- Cada um sobe o próprio extrato do mês (ou encaminha pro outro subir; quem não gosta de app não precisa abrir o app).
- Marca o que é "nosso". Uma regra ("Supermercado X → nosso, Mercado") faz isso sozinha na próxima vez.
- O app aplica a porcentagem de cada um, soma quem pagou o quê e mostra o acerto: "Ana deve R$ 217 pro Bruno".
- Pix. O mês fecha.
O que é só seu (o presente, a academia, o hobby) fica na sua conta e o outro não vê.
E se a renda mudar no meio do ano?
Atualiza a porcentagem no mês em que mudou e segue. Um combinado que evita ressentimento: quando um dos dois ganha aumento, a proporção muda no mês seguinte, não retroativo. E se a diferença de renda for muito grande (um ganha cinco vezes o outro), alguns casais preferem um teto: quem ganha menos compromete no máximo 30 % da renda, e o resto vai pro outro. Não é matemática, é combinado. O importante é decidir uma vez e não rediscutir todo mês.
Resumo
- Porcentagem de cada um = sua renda ÷ soma das rendas.
- Cada um paga sua porcentagem do total das contas compartilhadas; o resto é individual.
- No fim do mês, quem pagou menos do que devia transfere a diferença. Um Pix.
- Dá pra fazer sem mostrar o salário: só a porcentagem precisa aparecer.
- Sem planilha e sem digitar: importa o extrato.
Faz a conta com o extrato de verdade
Sobe o OFX do banco, informa sua renda só pra você, marca o que é dos dois e vê o acerto pronto. Grátis pra uma pessoa; o Casal tem 14 dias pra testar, sem cartão.
Testar agora